Importância da Formação de Público para o Teatro: Um Olhar sobre o mercado Carioca!
- Laila Coutinho

- 5 de ago. de 2024
- 6 min de leitura

Olá, amantes do teatro!
Como produtora e artista que atua no coração pulsante do Rio de Janeiro, senti a necessidade de falar sobre Importância da Formação de Público para o Teatro. Tenho vivido de perto a complexidade do nosso cenário teatral desde que nasci. Um dos maiores desafios que enfrentamos atualmente é construir um público fiel e engajado, capaz de garantir a sustentabilidade e o crescimento da nossa arte.
Abaixo faço minha crítica e analise sobre o mercado atual e depois realizo uma análise técnica. Fiquem a vontade para comentar, discutir, discordar ou concordar, mas leiam.
A realidade carioca
O Rio de Janeiro possuia um público teatral apaixonado e exigente, a não muito mais que 20 anos atrás, essas pessoas lotava os salões dos diversos teatros que a cidade possuia. Eu me lembro de quando eu tinha os meus 5 anos, do Foyer do Teatro João Caetano, amava os segundos que antecediam a abertura das portas frontais do teatro, os porteiros arrumados, eretos, elegantes e cordiais, a equipe toda em seus postos, os atores se concentrando na coxia, o cheiro da limpeza e da fumaça do palco, Dona Neia organizando os últimos pontos da bomboniere, e aí meu pai, quase que como um maestro, se posicionava em frente as postas que se abriam e ele recebia o público com sorriso, agradecendo por estarem ali no teatro, desejando um bom espetáculo, e as pessoas entravam naquele lugar, que para mim era como um templo, tendo a certeza de que teriam um bom espetáculo, talvez eles não gostassem de uma coisa ou de outra, mas era o teatro, ele sempre é magico.
Minha relação com o teatro sempre foi muito mistica, dizem que depois que se descobre os truques do mágico se perde o encanto, comigo foi diferente, cresci por trás das cortinas, aprendi e vi como cada detalhe era feito, como se construía o show, como se fazia para a mágica acontecer, me lembro de sentar na beira do palco do teatro dulcina e cortar gelatina para os meus pais e pensar “essa aqui faz aquela parte linda q eu vi no ensaio”, e fazer parte de tudo aquilo me fez entender o quão poderoso o teatro é, pois, são pessoas comuns, que unidas realizam coisas extraordinárias, e isso para mim era magico.
O público que vi entrar nos saguões de tantos teatros ao longo da minha vida, no início eram pessoas sedentas por magia e arte, arrumadas, em grupo, a dois ou sozinho, sempre em busca de qual novo mundo o teatro iria apresentar a elas, não eram pessoas de teatro, não eram artistas, eram bancários, médicos, professoras, donas de casa, pessoas que viviam no “mundo real”, como eu gostava de falar, e que estavam ali procurando um pouco de sentido para a vida delas, buscando alguma coisa melhor, tentando nem que fosse por 1h e meia estarem um lugar diferente.
Ao longo dos anos o brilho delas foi se apagando, eu passei a ver mais atores nas lateias do que nos palcos, os foyers foram ficando cada vez menores, a recepção do teatro nunca mais foi convidativa, todos ali dentro se comportam como se fizessem um favor por estarem recebendo o público, e a magia foi acabando, assim como o número de teatros.
Acho que deixaram o ego falar mais alto, acabou o compromisso em produzir um show para entreter o público, tocar a sociedade e passar uma mensagem. É um show de “olhem o que eu faço e me aplaudam, não ligo para o que você pensa”, e acredito eu, que desta forma o público foi se distanciando e as cadeiras foram sendo tomadas por “amigos” que estão ali apenas para massagear o ego do ator que esta no palco, para que quando ele faça a peça dele, este também esteja sentado la aplaudindo, talvez um“ espetáculo que ele vai falar mal por horas em um bar pagando 200X mais do que pagou an entrada do teatro em que ele pediu lista amiga.
Meu ponto com tudo isso é alertá-los, meus caros colegas de profissão, que não existe mais a dedicação em fazer aquele momento ser especial, ser memorável, tocar vidas. os atores nos palcos não mas o fazem por que amam se doarem a personagens e viver vidas diferentes, eles o fazem para massagearem o próprio ego, para gritar por aí“ EU SOU ARTISTA” e a grande maioria não produz arte nenhuma, apenas reproduzem peças enlatadas, sobre temas, ou polemicos ou que obviamente os seus amigos vão aplaudir, porque obviamente eles pensam exatamente como eles, e são poucos os expoentes teatrais que não fazem parte dessa lata de sardinha artística que se tornou o teatro do Rio de Janeiro. Uma vez ou outra vemos peças dedicadas, e veja bem, nem estou falando de peça com dinheiro, porque já assisti a peças com muito dinheiro que eram tão enlatadas quando as outras com fundo preto e uma cadeira no centro; Estou falando de peças feitas com proposito, com elenco e equipe envolvidos, entregues, que respeitam o público e com estão ali brindando a arte.
Precisamos novamente retomar a prática de criticar o trabalho do colega, não apenas por inveja, mas que possamos evoluir. Não aplaudir no final se você não gostou, responder com sinceridade o que pode ser melhorado. precisamos retomar o debater sobre o que esta sendo apresentado e de que forma estão sendo produzidas as peças que temos em cartaz no RJ, precisamos URGENTEMENTE falar sobre a falta de profissionalismo dos gestores de teatros do Rio de janeiro, que não fazem ideia do que estão fazendo, limitam a capacidade artística, não entendem do funcionamento do teatro, burocratizam o acesso a pautas, politizam os teatros e muitas levam para o cronograma de peças escolhidas suas próprias agendas, e muitas vezes dificultam o acesso aos palcos de produções menores.
Precisamos, queridos, voltar nossos olhares e ideias, sejam elas alinhadas ou não, para o cenário teatral carioca, pois o grande público já não estão mais sentados na plateia e a nossa classe vive a mercê de ajuda do governo, como pedintes por esmola.
Aos poucos estamos sendo engolidos e esquecidos, nos tornando uma mídia em que as únicas coisas que dão dinheiro, e sim precisamos receber, são peças que incluam famosos ou influencers, musicais broadway, stand-up e peças produzidas para amigos.
Sinceramente, o teatro merece mais!
Por que a formação de público é tão importante?
A formação de público vai muito além de simplesmente preencher as cadeiras de um teatro. Ela envolve um processo de educação e sensibilização, que visa despertar o interesse pelas artes cênicas, desmistificar o teatro e criar uma relação duradoura entre o público e as companhias. Além de trabalhar o teatro como a mídia que ele é, ao invés de transformá-lo em um subproduto da televisão ou do cinema. Pontos que precisam seu trabalhados:
Democratização do acesso à cultura: Atualmente a entrada a uma peça de teatro é quase , se não maior, que a entrada do cinema, quando se faz a comparação obviamente o teatro sai perdendo, pois o público não tem mais confiança no trabalho que será entregue, enquanto assistindo a um filme da Marvel ele sabe exatamente o que vai encontrar. Temos que entender a situação em que o teatro esta e passar a oferecer preços acessíveis, promoções e projetos educativos, abrindo as portas do teatro para um público mais diverso, incluindo crianças, jovens, idosos . Democratização de acesso não é distribuir entrada gratuita.
Fortalecimento do ecossistema cultural: Um público ativo e crítico estimula a produção de obras de qualidade, a inovação artística e o desenvolvimento de novos talentos. Precisamos recuperar a confiança do público de que ir ao teatro é um evento inesquecível e que vale não só o investimento financeiro dele como o tempo investido.
Fortalecimento do mercado teatral: Um público mais engajado e crítico fortalece o mercado teatral, incentivando a produção de obras de qualidade e a criação de novas oportunidades para artistas e produtores. mas a união da categoria para forçar o mercado a caminhar nessa direção é a única força motriz capaz de mudar essa situação.
Valorização da arte: A valorização do teatro como expressão artística e como ferramenta de transformação contribui para o fortalecimento da identidade cultural de uma cidade. Precisamos impulsionar a produção de peças teatrais de qualidade, com temas de interesse publico, focados em entretenimento e experiencia. A cidade conta com uma infinidade de grupos teatrais talentosos, mas a falta de divulgação e a concorrência com outras formas de entretenimento podem dificultar a vida dos produtores. Devemos nos unir, e além de óbvio ir prestigiar o coleguinha, também ajudar na divulgação em geral.
O que podemos fazer?
Parcerias: A união entre produtores, teatros, escolas, empresas e órgãos públicos é fundamental para a criação de projetos inovadores e de grande impacto.
Divulgação: Utilizar as redes sociais, a mídia tradicional e ações de marketing criativas para divulgar a programação teatral e atrair novos públicos.
Educação: Oferecer oficinas, palestras e projetos educativos nas escolas e comunidades, para despertar o interesse das crianças e jovens pelo teatro.
Acessibilidade: Garantir a acessibilidade física e cultural dos espaços teatrais, para que todos possam ter acesso à arte.
Inovação: Experimentar novas linguagens e formatos, para atrair um público mais jovem e diversificado.
Conclusão
A formação de público é um processo contínuo e desafiador, mas os resultados são extremamente gratificantes. Ao investir na formação de novos espectadores e no resgate dos antigos, estamos construindo um futuro mais próspero e culturalmente rico para o Rio de Janeiro e para o teatro.
E você, o que está fazendo para contribuir para a formação de público no teatro?
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